Oi, gente!
Essa foi uma semana de experimentações para mim. Coisinhas simples (porque gosto da vida sem sobressaltos), mas que me deram prazer de descoberta.
Na tardinha de quarta-feira, chegaram pelo correio minhas agulhas chinesas
ChiaoGoo Bamboo, compradas na
Purpelinda Crafts. São agulhas de crochet ergonômicas, bem parecidas com as japonesas Clover, bastante conhecidas. Em vez do cabo plástico destas, as chinesinhas têm uns lindos cabos de bambu, como evidencia o nome. Quis logo experimentá-las. Escolhi uma coisinha simples, umas margaridas emendadas cujo gráfico venho guardando há muito tempo.
Adorei o "primeiro passeio" com minha agulha nova! Achei as ChiaoGoo tão boas quanto as Clover. São macias, a linha desliza bem pelo gancho metálico e o bambu deixa a empunhadura mais firme que o plástico. Aprovadas! Outra característica é a numeração. Elas têm cerca de um décimo de ponto a mais que as marcas Clover e Tulip. Isso pode dar uma sutil diferença no resultado final de um trabalho já que o gancho é um tantinho maior que os que uso.
O único aspecto que não me agradou muito foi o acabamento. Colocando-as lado a lado, algumas ficam com o gancho mais alto que outras. Isso não chega, claro, a prejudicar nenhum trabalho, mas a aparência das agulhas em um estojo fica destoante, feiosa, desleixada. Quanto às margaridinhas, gostei tanto que estou pensando em fazer uma toalhinha com um monte delas, todas assim, emendadinhas. Acho que vai ficar bem fofo, divertido, até um tantinho "podiscrê", como brinca a
Isadora.
A outra experimentação foi na cozinha. Na quinta-feira, pela manhã, tentei fazer um pãozinho com massa de esfiha. Para não ficar um pão muito "pois é", misturei a massa com pedacinhos de linguiça (ai, que saudade do trema! Lingüiça, lingüiça, lingüiça!) calabresa e um pouquinho de erva-doce. Modelei cerca de 60 pãezinhos, em bolinhas bem pequenas. Hmmmmm!
Como com a experimentação do dia anterior, também gostei do resultado. Os pães ficaram bem fofinhos, com a massa leve. A erva-doce perfumou toda a cozinha e foi uma delícia comer pãezinhos quentinhos sentindo o aroma de coisa gostosa se espalhando pela casa. Quanto ao paladar, a erva-doce se "abre" logo que a gente começa a mastigar o pãozinho e só em seguida é que se sente o gosto levemente picante da calabresa que contrasta muito bem com a doçura e a suavidade da companheira de recheio.
Foi um café da manhã do tipo "é luxo só", na versão simplicidade, se é que se pode falar assim. Dessa vez, não havia convidados (foi só uma dessas vontades de bicho carpinteiro cozinheiro). Entretanto, como os pãezinhos ficaram tão gostosos, achei um pecado não compartilhá-los. Levei alguns à casa de dois amigos que, ao fim do dia, telefonaram-me agradecendo o mimo e elogiando meu experimento culinário. hehehe!
Esse experimento também trouxe uma vontade "quero mais". Resolvi que vou começar a fazer cursinhos de culinária e penso seriamente em fazer uma pós em gastronomia em alguma faculdade daqui. Oh, la-la, mes amies!

Falei de "é luxo só" na versão simplicidade e isso pode ter soado esquisito. Mas, para mim, pelo menos, não. Nesse tempo de consumo excessivo, luxo é tirar prazer das coisas simples que nos fazem realmente felizes (a
Rafa fez uma ótima postagem sobre
o que é a felicidade). Colher manjericão do vasinho da varanda e fazer molho de macarrão com ele, fazer pãozinho fresco em casa, ver a Anne e o Frank dormindo quietinhos no sofá, bordar, crochetar, tirar um cochilo de tardinha ou simplesmente me dar ao luxo (olha ele aí!) de não fazer absolutamente nada. Tudo isso são mostras de
la crème de la crème do luxo. E da felicidade.
Luxo, para mim, são as coisas simples, mas que se tornaram difíceis nesses tempos em que ninguém tem tempo para nada ou que quer tudo pronto, comprado, ensacado, em que se tem dinheiro para pagar os outros para fazer, mas não há habilidade, interesse ou tempo para experimentar fazer com as próprias mãos.
Para quem quiser entender melhor luxo, o
Gilles Lipovetsky tem dois livros ótimos, um sobre
luxo e outro sobre
consumo e individualismo. É ótima leitura garantida e ainda um melhor entendimento da nossa época. Se para filósofo vale tietagem, eu sou tiete do Gilles Lipovetsky e se ele aceitasse, seria
groupie! hahahahaha!

Ai, tô escrevendo demais, eu sei. Mas não podia deixar de falar no U2. Que papelão! O Bono, todo política-econômica-humanística-ecológica-teoricamente correto, ao meu ver, deu um bruta vexame! Para quem defende tanto a ecologia, luta contra os efeitos dos gases estufa e talz, andar pelo mundo com um palco e equipamentos que para serem transportados precisam de mais de duzentos caminhões (!!!!!!!!) é uma vergonha! Se ele for zerar o impacto de tanto combustível queimado, tanto CO2, vai fazer o quê? Haja árvore para plantar e zerar o impacto ambiental disso tudo! Onde é que ele vai criar uma nova Amazônia? Se dourado, não sei, mas o primeiro mico dessa futura floresta já está garantido!
Nem todo mundo que vem por aqui sabe, mas sou carioca, então, muita coisa que acontece no Rio me aflige profundamente. Essa semana, o caso do atirador na escola... Bom. Nem preciso comentar. A
Isadora fez uma postagem que resume tudo o que eu penso. Mais uma vez, assim como no caso Isabela Nardoni, a imprensa está dando um show de cafajestice e desrespeito! Informar é uma coisa, desrespeitar os outros a ponto de espremer o último caldo de acontecimentos lamentáveis, explorando o sofrimento alheio sem a mínima sombra de consideração é outra. Há perguntas que não são necessárias e outras que simplesmente, por respeito ao outro, não devem ser feitas.
Yp-yp-hurra para mim, que me formei jornalista, vi a grande m***a que isso é, mal exerci a profissão e decidi que quero mais é me enfiar na cozinha ser e fazer os outros felizes. Nem a felicidade dure só o tempo em que a erva-doce e a calabresa se misturam na boca de alguém!