terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ainda sobre o Natal / Still about Christmas




Quis publicar estas fotos antes, mas o Dieter, meu computador, enguiçou e daí... Bom, pois é.

No Natal, a gente sempre tem muita gente a presentear, a grana nem sempre dá para comprar tudo o que gostaríamos de dar a essas pessoas, então, o jeito é usar a criatividade. Ou o fogão.

Aí acima está um dos presentinhos charmosos que escolhi dar a alguns amigos no Natal de 2010: um potinho de compota de maçã com nozes. Para não ficar com cara de "qualquer um", fiz uma bordinha de crochet com miçanguinhas rosadas nacaradas e uma maçãzinha para dizer do quê era a compota, além do pedacinho de canela. Queria mostrar a borda em detalhes, mas minha máquina fotográfica é míope (ou hipermétrope? Acho que hipermétrope!), vê tudo embaçado a certa distância (anotações para 2011: "comprar máquina fotográfica mais potente").

Então é isso... er... Ah! Aí abaixo vai a aparência da compotinha.






I was really wanting to publish these photos sooner, but Dieter, my PC, broke, so... Well, er...

When Christmas comes, we want to gift lots of people, but sometimes we can't afford so many presents, so we all have to use a little creativity. Or the stove.


There it is! This is one of the charming little gifts I chose to give to some friends of mine for Christmas: a flask of apple and nuts compote. Just for an extra charm, I crocheted a border with some pearled rose beads, a little apple and a piece of cinnamon cane just to show what the compote was made of . I wish I could show you, guys, the tiny cute beads, but my camera becomes short-sighted (or would it be farsighted? I guess so!) and "sees" everything blurred (note for 2011: "buy a powerful camera").

So, that's all, folks.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Novíssimas tradições / Brand New Traditions



Resolvi começar uma nova tradição aqui em casa. Bom, todas as tradições tiveram que começar em determinado dia, ainda sem ser exatamente tradições, não é? Pois então! Declarei a tradição do café da tarde no dia entre o Natal e o Ano Novo. Nessas festas, as pessoas ficam com a família, é difícil se reunir todo mundo que se quer. Já em uma tardezinha entre as duas datas importantes, há aquela percepção de "dia comum" que eu quis tomar para minha nova tradição.

Com uma semana de antecedência, convidei os amigos. Três dias antes da data marcada, comecei a fazer os biscoitos (que deram um certo trabalho) e imaginar que bolo eu faria para ser a estrela da nossa tarde. Estava planejada nossa reunião informal, minha nova tradição que, desta vez, foi no dia 29 de dezembro. Acima, vocês veem um detalhe do bolo de maçã com frutas secas recheado com creme de abacaxi que fiz (rapidinho, fácil e muito gostoso); no fim da postagem, estão os biscoitos de baunilha (pintadinhos como árvores de Natal) e os chocolate crinkel cookies enrolados no açúcar de confeiteiro e no glitter perolado comestível (achei lindo o aspecto rachado. Pareciam ter caído na neve) que não apareceu muito na foto. Tudo isso, pus sobre um centrinho de mesa de crochet que fiz há algum tempo (como disse, ando crochetando mais que bordando). As pessoas se serviam de sucos, água, café ou chá, pegavam os talheres e louça em uma mesa auxiliar e se serviam do que preferissem na mesa principal, mostrada também em uma das fotos abaixo.

Adorei fazer tudo, confeitar biscoitos pela primeira vez na vida, rechear e confeitar um bolo charmoso, planejar tudo, chamar meus amigos, enfim, começar essa nova tradição. Mas o que realmente me agradou mais foi ver todo mundo feliz, divertindo-se e comendo alegremente na minha sala de estar! Que ocasião maravilhosa entre duas datas tão especiais!

Desejo a todas um feliz 2011, cheio de alegrias, felizes bordados, crochets, crafts e tudo mais o que quisermos criar!



I started a new tradition here. Well, all traditions had to start on a certain day, even if they weren't exactly traditions yet. The tradition I declared is an afternoon coffee on a day between Christmas and New Year's Day. During this holiday season, people stay with their families and it becomes difficult to call friends to spend some time together. So, in a day between the two important days in December, seen as a "typical day", I started to set as my new tradition day.

A week before the day I chosed, I started to invite some friends. Three days before the "D" day, I started to bake (that were not exactly a piece of cake for whom never baked cookies, like me), and started to chose what would be tha cake that would be the golden star of our new tradition day. The informal meeting was all planned. The day would be the December, 29th. At the heading of this post, you may see a detail of the apple and dried fruits cake I baked (quick, easy and very tasty) and at the end of it, you may take a look at the vanilla cookies (as Christmas Trees) and the chocolate crinkel cookies rolled in powderred sugar and edible glitter (I loved them! They were so beautiful! It was like they rolled in the snow and the cracked look was incredible). All setted, I used a centerpiece I crocheted some months ago (as said, I am crocheting more than stitching). My friends could chose between juices, water, coffee and tea, take the silverware and dishes in an auxiliary table before serve themselves in the head table with whatever they prefer, all shown in the photos below.

I loved to bake and paint cookies with icing for the first time in my life (in Brazil, we don't traditionally do it), fill and put some topping in a charming cake, plan all the meeting, call my friends and finally begin this brand new tradition at my home. But what really pleased me most was seeing everyone glad, having fun and eating happily in my living room!
What a wonderful time between two special days!

Happy 2011 to everybody, full of happiness, happy stitching, crocheting, crafts and everything else we wish create!







Não podia deixar de marcar também que hoje, dia 1º de janeiro de 2011, tomou posse a primeira Presidente da República do Brasil do sexo feminino, Dilma Rousseff. Embora eu não seja dessas que liga muito para ser uma mulher ou um homem em um cargo tão importante, alguém negro ou branco ou coisas assim (para mim, as pessoas são simplesmente pessoas, não as diferencio, seja por sexo ou qualquer outra característica), foi bonito ver o entusiasmo das pessoas.

It is also necessary to tell that todqy, the January 1st of 2011, our first female president, Dilma Rousseff, took her chair at the presidential palace. Although I don't care that much for being or not a woman or a man in such an important dute, someone black or white or anything like that (for me, people are just people and they cannot be seen as different whether for sex or any other characteristic), it was nice to see people's enthusiasm.

Se quiser ver mais fotos, clique sobre as miniaturas abaixo.
If you want to see more pics, click on the thumbs below.






sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ho-Ho-Ho!





Olá, pessoal!
Sumi por muito tempo, mas não podia deixar de aparecer para, pelo menos, desejar um bom Natal a quem ainda aparece por aqui, meu quase (?) abandonado blog... Estou me esforçando para retormar o ânimo e voltar a mostrar aqui meus trabalhinhos (agora, mais de crochet), mas, até lá, ficamos como estamos. Apareço de vez em quand(ã)o.

O motivo é importante. O nascimento de Jesus, a festa linda que fazemos para ele no Ocidente, os hábitos que temos para celebrar essa alegria. Então, desejo a todos um ótimo Natal e todo o encanto e a felicidade que nos envolvem nesta época. Comam moderadamente, alegrem-se imensamente e aproveitem tudo o que de bom que só parece existir - ou pelo menos nos visitar - no Natal! Beijos a todos.




Hello, folks!
I've been absent for quite a long time, but I had to come here again to, at least, wish a merry Christmas to whomever still visits my almost abandoned blog... I am really making some efforts to come back and create some posts again, showing my needlework (now, I am crocheting), but, well, I don't know, till then, this will stay still, just like it is now. I will only show up from time to time.

This time, I have an important reason to come back. It is Jesus birthday, the beautiful holiday that we all celebrate in West, our own way to celebrate this joy. So, I do wish you all a merry Christmas, all the charm and happiness that surround us at this time of the year. Eat a bit, rejoice greatly, and enjoy greatly all the good things that seem to exist - or at least visit us - only when it is Christmas! Love to all.


sábado, 27 de março de 2010


A Justiça, a barbárie, a vergonha

Sei que escrevi sobre interregno e pretendo mantê-lo por mais algum tempo. Entretanto, não poderia me calar ante o que vi e ouvi hoje a respeito do julgamento dos, agora reconhecidos como culpados, pela morte de Isabella Nardoni. Isso, poderão argumentar vocês, não é assunto para um blog de bordadinhos e coisinhas fofas, com assinaturinhas de bichinhos e tal. Contudo, apesar de gostar dos bordadinhos e dos bichinhos, sou um ser humano, brasileira e estive acompanhado (como foi quase obrigatório!) o caso, como todos os que vivem no Brasil, desde o início, quando se soube pela imprensa que uma menina teria caído acidentalmente do sexto andar de um prédio em São Paulo capital. Depois, como se sabe, os fatos progrediram e começou a se falar em assassinato.

Não quero falar da culpa ou da inocência do pai e da madrasta da menina. Não me cabe fazer isso. Cabia ao tribunal do júri e a tarefa já foi cumprida. As pessoas têm sua convicção íntima - creio que a maioria concorde com o veredito de culpa de ambos - e não cabe mais discutir esta questão, a não ser àqueles envolvidos nos recursos que a defesa certamente fará. O que desejo falar é sobre o comportamento da mídia e das pessoas.

Foram cinco dias de julgamento, de cobertura da imprensa brasileira e, diz-se, também da internacional. Para lhes dizer o que penso, achei tudo vergonhoso! As manifestações ditas populares foram a expressão de uma barbárie lamentável. Víamos sujeitos que viajaram por dezenas de horas para estar na porta do fórum apenas para se mostrar. Um deles, inclusive, assumia, ante às câmeras, que estava lá somente para "aparecer para o Brasil", outro se pregou a um dormente de madeira, ao modo de uma cruz, e saía para tomar cafezinho quando queria porque "afinal, era humano". As pessoas carregavam faixas, vestiam camisetas falando de outros casos, alguns já julgados e com culpados devidamente encarcerados. Para quê lembrar do que já foi resolvido se nenhum bem se faria com isso? O que a família da menina morta tem a ver com isso ou até o que tudo ocorrido com Isabella, com os réus tinha a ver com aqueles outros casos? Todo o empurra-empurra, as filas que começavam na madrugada para se conseguir uma senha e se entrar na sala de julgamento... Para quê? Entendo que os estudantes de Direito e profissionais da área se interessassem por acompanhar tudo, mas... curiosos? Para quê? Para quê, se os jurados, a quem cabia julgar, mal conseguiam suportar o cansaço, a extensão dos longuíssimos depoimentos a ponto de um deles, inclusive, segundo a imprensa, ter sido admoestado pelo Juiz de Direito sobre a postura, a pouca atenção que parecia estar dando ao que no tribunal era exposto? Curiosos? Há certas coisas que estão acima da mera curiosidade inócua! Entretanto, as pessoas parecem ser atraídas pela desgraça do semelhante, seja um acidente sangrento ou pessoas sendo julgadas e, acredito, até pré-julgadas pela opinião pública. É incrível que ninguém sinta vergonha de expor uma curiosidade dessas!

Vergonhosa foi também a reação do populacho ao final do julgamento, como se as diárias manifestações, nesses cinco dias, à porta do fórum, fossem insuficiente prova dessa barbárie. Quando foi transmitida a sentença de culpa dos réus, ouviam-se, mesmo pela televisão, fogos de artifício espoucando, gritos e a choldra em um vil corinho: "Eu, eu, eu, o Nardoni se f..eu!" Era quase um 4 de Julho dos filmes americanos, a Copa do Mundo e o Ano Novo de Copacabana, tudo junto, tamanho o barulho de fogos! Isso não é apoio à família de ninguém, como alguns, em vã tentativa, explicavam a própria presença às portas do fórum, e como a avó da menina, em um dos dias, exaltada ao entrar no fórum, qualificou de "amor à minha neta". Não, não era. Era curiosidade mórbida, como ficou bem claro e aquela já mencionada e admitida "vontade de aparecer".

Agora, enquanto escrevo, já é 1:33 h da madrugada de sábado. Ainda vemos, pela tevê, populares, inclusive com crianças de colo(!!!) e outras, pouco mais velhas, do lado de fora do local do julgamento. Quem são essas pessoas que expõem os próprios filhos ao frio da madrugada, no meio do burburinho, da desordem, do empurra-empurra, para festejar uma condenação de indivíduos que não cnohecem pela morte de alguém que também não era de seu convívio e sobre quem só souberam por reportagens, muitas delas tendenciosas, apresentadas nos meios de comunicação?! Importamo-nos com nossos semelhantes, é certo, e isso faz de nós humanos, mas por que não parecem, aquelas pessoas, importar-se com o bem-estar dos próprios filhos, daqueles pequenos que lhes são mais próximos em questionável benefício de... de... De quem? Festejar, soltar fogos, colar-se à grade do fórum, meter-se em multidão, vaiar réus, chutar e bater nos carros que os transportam a ponto de a polícia ter que intervir... Tudo isso é em benefício de quem? E se não é em benefício, trazendo, contudo, claro malefício às crianças e a si próprios (vão dormir, pelo amor de Deus! Ou pelo menos saber dos acontecimentos no sofá de casa!), para quê?

Horrível é, desde o início, a cobertura da imprensa. E, perdoem-me, cabe-me o julgamento disso, sendo eu também jornalista e mesmo espectadora desse circo formado há dois anos. Houve uma atenção excessiva, uma superexposição de cada migalha de fato, um dissecar obsessivo de cada um dos fatos cercando a morte da menina e com tamanha insistência que levou a um resultado que não poderia ser outro senão a pré-condenação de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Esmiuçava-se cada pequenino detalhe, especulavam-se brigas, ciúmes, desentendimentos, choros, infernos familiares particulares parecidos com uma trama digna de um Tolstói! Procuravam-se supostas "provas" de que aquelas eram pessoas monstruosas desde sempre, vilões de filme mudo. Anna Carolina Jatobá, então, personificava a figura clássica da madrasta, como nas fábulas infantis. Era como se, só por ser madrasta, estivesse fadada a ser ciumenta, má, invejosa, propensa ao maltrato infantil. Até mesmo as provas periciais - chatíssimas, técnicas, longuíssimas, acima do entendimento da maioria de nós, sem som - foram acompanhadas, ao vivo, momento a momento, desde a manhã, quando começaram, até à tarde, pela televisão e outros meios de comunicação. Houve, inclusive, a interdição do espaço aéreo ao circunredor do edifício onde os fatos ocorreram porque as autoridades já previam que o tráfego aéreo ali estaria movimentado graças a helicópteros dos meios de comunicação. A transmissão cansativa tomou conta de todos os canais da televisão aberta. Se se quisesse ver outra coisa que não os testes periciais, ah, não se poderia! "Veja o CSI nacional, sem Grissom, sem som, sem mágica de seriado, sem trilha incidental, telespectador, ou não veja nada!" Condenados, naquele dia, também fomos nós, pela falta de opção. Aliás, podia-se ver outro programa qualquer, desde que se fosse um felizardo assinante da tevê a cabo (irônico seria se a grade de programação nos dissesse que CSI Las Vegas, Miami ou New York era o programa da vez, em uma dessas maratonas de repetição contínua), o que uma parcela bem diminuta da população brasileira é.

Cheguei a ouvir na imprensa louvas à suposta discrição do comportamento da mãe da menina durante todo o caso. Não sei se posso concordar com isso. É fato que não houve comportamento escandaloso, mas chegou, sim, a ceder algumas vezes ao brilho dos holofotes. Escrever uma mensagem longa e comovente no perfil do Orkut da menina (ou dela própria, nem me lembro mais) como se estivesse falando com a garotinha, despedindo-se da morta; expor-se no cemitério às câmeras de televisão, apertar a mão de desconhecidos que levavam ursinhos e flores ao túmulo da menina, ora... não foi a conduta mais discreta. Agora, aparece na tevê a moça na varanda do prédio onde mora, chorando e acenando para a multidão, como uma Evita no balcão. Discrição? A morte de um ente querido (e talvez a condenação dos que são tidos por um júri como culpados) tradicionalmente é vivida em particular. Não quero falar aqui no que é mais ou menos "elegante", mas a discrição significa a não exposição, e ela não ocorreu sempre.

Depois de tanto esforço para se fazer uma cobertura tão "completa" (leia-se invasiva, excessiva, injusta porque, sabemos, a imprensa é formadora de opinião), a pré-condenação de Jatobá e Nardoni seriam favas contadas! No Direito existe o que é chamado de desaforamento (lembro-me um pouquinho dos meus anos na faculdade de Direito). Por esta figura legal, quando um caso ganha muita repercussão e notoriedade dentro de uma dada comunidade, normalmente onde o suposto crime ocorreu, o julgamento pode tomar lugar em outra comarca para que a opinião pública não interfira no julgamento e na decisão dos jurados que são, afinal de contas, escolhidos dentre as pessoas do povo. Neste caso, pela repercussão nacional, isto não seria possível. Como procurar um lugar com alguma isenção ou menos contaminado por essa cobertura constante e excessiva, se ela foi feita por todas as televisões, jornais e rádios do país.

Houve a minudente cobertura do julgamento, como não poderia deixar de ser. A Rede Record destacou uma das apresentadoras tidas como uma das estrelas do telejornalismo nacional para a porta do fórum, como se, do nada, voltasse a ser uma repórter de rua, posição que ocupou há mais de, pelo menos, duas décadas, tendo sido promovida, há muito, a apresentadora, posição de muito mais relevo. A profissional de nossa mais expressiva televisão, em índices de audiência, a Rede Globo, parecia falar sem notar o que dizia. Na quinta-feira, talvez vencida pelo cansaço de uma cobertura Moby Dick, trocava o nome da ré pelo da mãe da menina; ambas Ana Carolina (na verdade, Jatobá é Anna, com um "n" dobrado que nossa língua não permite diferenciar), mas a mãe sendo "de Oliveira" e a ré sendo "Jatobá". Os nomes eram trocados, quase como se em um conto do bizarro. Trocou os sobrenomes não uma, duas, mas todas as vezes em que falou em uma das mulheres, em um flash ao vivo para o Jornal das Dez, telejornal da GloboNews (a tentativa de ser a CNN que a Globo faz na tevê a cabo). Hoje, esta mesma profissional, Renata Ribeiro, interrompia a apresentação do jornal (excepcionalmente longo e apresentado por Eduardo Grillo) para mostrar flashes desimportantes como os carros que levavam os condenados ao presídio (eram só dois carros andando pela estrada, com quatro rodas e chassis! Não se viam sequer os ocupantes!), para insistir na repetição de "informações", uma, inclusive, que não passava de um brocado jurídico (ouviu-se com uma repetição enervante a jornalista citando o advogado de defesa: "o brilho da noite é do promotor Francisco Cembranelli!", frase óbvia e que pouco acrescentava à cobertura) e para uma rápida conversa com um dado jurista, ora dado como advogado, ora como juiz nos últimos dias, com uma voz embargada, afetada como aquelas dos rábulas de dentro dos tribunais emocionais. O assunto? Exatamente o que Grillo tentava desenvolver com dois juristas convidados e que, pelas interrupções constantes, não conseguiam consolidar o pensamento! Para que Renata nos mostrasse obviedades factuais desimportantes, Grillo era obrigado a interromper os convidados, em uma atitude que era, no mínimo, descortês e desagradável. Para vermos carros rodando sobre a estrada, éramos interrompidos no que realmente interessava à audiência, que eram as explicações detalhadas sobre as condições de cumprimento das penas, fato de conhecimento dos iniciados em Direito, mas certamente novo para a maioria de nós, os espectadores. Outra questão a respeito da cobertura de Renata foi o fato de que ela não conseguiu, nem por um minuto, esconder a opinião pessoal sobre o caso. Ela torcia, víamos, pela condenação de Nardoni e Jatobá. Era claro pelo tom de voz que adotava, pela repetição entusiasmada de reveses da defesa dos réus (ou de frases inexpressivas, vide "o brilho da noite..."). Também como indício dessa opinião está a raridade com que se ouviam as palavrinhas mágicas para a isenção da notícia: "suposto", "suposta", "supostamente". Era "o crime" e não "o suposto crime", "os assassinos" e não "os supostos assassinos", era "empurrou pela janela" e não "supostamente empurrou pela janela". Pergunto onde fica a propalada (embora, cada jornalista sabe, inexistente) neutralidade do profissional em comunicação social em um caso desses? Essa tal neutralidade, essa isenção, sabemos, é sempre uma quimera, mas cabe ao jornalista pelo menos aparentá-la, cabe a ele afastar a opinião pessoal do fato que deve ser apresentado. É um dever da profissão. O pecado de Renata, felizmente, não foi o de Cesar Tralli, jornalista bem mais experiente, destacado para fazer a cobertura do julgamento para o canal de tevê aberta da Globo. Ele, durante todo o tempo, tentou ser e parecer isento. César foi exemplar! Aprende-se, além do truque da isenção, em uma faculdade de Comunicação Social, que a comunicação televisiva se faz pela repetição, afinal, alguém pode ter ligado a tevê exatamente naquele instante e, assim, ter perdido uma fração do que já foi informado. Contudo, há de se usar algum bom-senso, escolher o que é relevante para a repetição e o que é mera repetição sem sentido, vazia ("o brilho da noite"...).

A tudo isso, opôs-se, felizmente, a Justiça. Foi ela quem brilhou, ao meu ver. A venda que lhe cobre os olhos foi do mais refinado tecido, o manto foi reluzente e a espada se manteve ao alto até o último segundo, conforme ensinam os livros de doutrina do Direito. O juiz parece ter tido, segundo as notícias, um comportamento exemplar, irreprochável, preocupando-se em dar plena possibilidade de defesa, em coibir abusos de retórica de ambas as partes, tanto do promotor quanto do advogado dos réus. Até mesmo a leitura da sentença mostrou como houve a busca pela falta de emoção e atenta à letra da lei. Houve a condenação, as penas foram longuíssimas, contudo, não se notou, fosse na voz do Magistrado, fosse no conteúdo da sentença, nenhum fio de emoção que sugerisse vendeta ou desejo de promoção. Não foi, como o comportamento do populacho demonstrava querer, vingança, e sim a pura, cristalina e sensata justiça. A voz do Juiz Maurício Fossen era desapaixonada, direta, limpa. Foi um bálsamo ver alguém agindo de forma a sublinhar realmente a justiça em si. Era-lhe a função, como juiz togado que é, eu sei. Entretanto, dada a repercussão do fato, ver tanto profissionalismo, tanto amor à justiça, tanta retidão foi muito, muito bom! Tudo, absolutamente tudo o que Fossen fez pareceu certo, inclusive proibir que as televisões e rádios acompanhassem, de dentro do tribunal, o julgamento. Aquilo é um tribunal, não um estúdio! Tudo o que não se precisava era ainda mais exposição.

Quem teve a paciência de ler tudo o que escrevi nesta postagem deve estar se perguntando se eu torcia pelos réus, talvez me achando uma sem coração por não sentir pena da menina morta de forma tão violenta, da mãe e dos avós dela. Digo que nada disso. A princípio, eu não torcia nem pela condenação nem pela absolvição dos réus. Não cabia amim julgar, como disse no início deste texto, e não fazia força para permanecer assim. Se estou feliz com a condenação de Anna Carolina Jatobá e de Alexandre Nardoni? Não. Não estou. Não porque eu quisesse que fossem soltos, mas porque não sei o que aconteceu naquela noite, naquele apartamento e porque um crime tão hediondo, contra uma criança tão pequena, incapaz de se defender, possivelmente perpetrado pelo progenitor e pela companheira dele... Penso que isso não faça bem a absolutamente ninguém. Seria melhor que não tivesse acontecido ou que, se irremediavelmente ocorrido, que não fossem justamente os responsáveis pela salvaguarda e bem-estar da menina os perpetradores desse ato horrível. Torcia para que os dois fossem inocentes, que as provas assim mostrassem. Não é que eu torça por Nardoni e Jatobá, repito. Torcia pela inocência dos dois porque um crime tão terrível, tão feio, fez mal não só a Isabella, mas a todos nós e cada um de nós, às nossas consciências, a pais e filhos, a observadores, à nossa fé no mundo. Tudo aquilo nos fez mal como pessoas, como coletivo, como seres-humanos. Tornamo-nos, ao saber de um fato desses, ao acompanhar uma cobertura que vai às entranhas assim, ao participar ou apenas assistir o comportamento da choldra, ao pré-julgar, humanos menos humanos.



domingo, 1 de novembro de 2009




Interregno

E a palavra de hoje é...

interregno
in.ter.reg.no
sm (lat interregnu) 1 Tempo entre dois reinados. 2 Interrupção do exercício de autoridade, ou da linha dinástica que a exercia. 3 Interrupção, intervalo.

(Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa)

Oh, yeah, babe! Como nos desenhos do Pernalonga (eu prefiro o Patolino!), that's all, folks, pelo menos por enquanto. Vou dar um tempo. Há alguns meses vinha querendo desistir do blog. Mas este não será o caso, por certo, e, para evitar isso, precisamente, resolvi dar um tempo por aqui. Aliás, já vinha dando, mas sem aviso e deixando todo mundo na espera (que feio!). Agora, sim, taí, oficialmente, o Sublime Stitching está em interregno.

Às amigas que me visitam, obrigada pelos comentários fofos, pelo carinho, pela constância das visitas. Àquelas cujos trabalhinhos lindos ainda não mostrei, por favor, desculpem-me. Assim que voltar, mostro tudo em fotos o mais caprichadas possíveis e, mais, apesar de não lhes mostrar os trabalhos, o carinho por vocês é grande, é especial, e a apreciação pelos presentinhos de coração e linha é verdadeira.

O interregno não tem tempo para terminar, mas um dia eu volto e aviso a toooodo mundo. Até lá, beijinhos, boas cruzinhas, bons pontinhos, sejam com que agulha forem feitos (ponto cruz, crochê, tricô, arraiolos e por aí vai).



Hold on!

I decided to stop posting for a while, folks. I don't know exactly for how long there won't be any posts, but I need this. As soon as I come back, I will tell you all.

Anyway, thank you, guys, for visiting me and for your lovely comments, for all the kindness you showed. Please, be sure that I've appreciated every little work, every gentle comment.

Till I come back, nice stitching for you all.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Biscoitos italianos by Pops / Biscotti by Pops



Ainda na série "tantos presentes, ai, como é chato ser amada", posso lhes dizer que uma das melhores coisas que há sobre trabalhar em casa é que podemos fazer nossos horários de pausa. Em um dos dias frios de inverno, ainda, há algumas semanas, esta foi a mesa de chá da tarde que me dei de presente em mais uma dessas pausas. Bem, digo que eu me dei de presente, mas todo o trabalho foi da Popola. Foi ela quem, docemente, enviou-me esses biscoitos italianos maravilhosos, feitos por ela mesma, na lata vermelha que aparece ao fundo. Gostaram da lata? Bem, foi ela quem a pintou também. Enviou-me tudo com uma cartinha (somente para meus olhos, como no 007). Tudo lindo de se ver... e de se saborear! Hmmmm...

A receita dos biscoitinhos? Eu não a tenho. Pops, como eu a chamo, ficou de enviá-la a mim dia desses. Talvez com esta postagem, ela se anime e a publique lá no Dicas de Popola para nós. Só posso lhes adiantar que vale a pena guardar e tentar a receita em casa. Pops morou na Itália durante alguns anos e imagino que tenha aprendido a fazer biscotti lá. Chique, não é? Meu café da tarde, com louça e chá inglês, teve biscoitos italianos made in Brazil, com exclusividade, enviados por uma amiga tão doce quanto eles! Hmmmmm...

Obrigada, Pops, pelo carinho, pelos biscoitos, pela lata linda, por tudo...



Still as a part of the series "so many gifts, oh, how boring is to be loved," I can tell you that one of the best things about working at home is that we can make our break anytime we feel in mood to do it. On one of the cold winter evenings, a few weeks ago, this was the tea-table I gave as a gift to myself in one of those breaks. Well, I say that I gave to myself, but Popola deserves all the credit for it. She was the one, who, sweetly, sent me these wonderful Italian cookies, made by herself, in the red can that appears in the background. Liked the can? Well, it was she who painted it too. She sent me everything with a short letter (for my eyes only, as in 007). Everything beautiful to see, to read... and to taste! Yummy...

So, do you want the biscotti's recipe? I do not have it. Pops, as I call her, told me that she would send it to me. Maybe with this post, she gets the mood and post at her Dicas de Popola for us. I can tell you all in advance that it worths to keep the recipe and and try it at home. Pops lived in Italy for several years and I imagine that she has learned there how to bake biscotti. Fabulous, isn't it? My afternoon break had tea and china from England and Italian biscuits made in Brazil, with exclusivity, sent by a friend who is as sweet as they are!

Thank you, Pops, for the affection, the biscotti, the beautiful can, for everything...




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